Um site para empresa de recreação que atende hotéis e marcas funciona melhor com uma página para cada serviço do que com uma home que tenta explicar tudo. No projeto do Grupo Magic, essa foi a decisão mais difícil: dividir seis frentes de trabalho em páginas próprias.
O Grupo Magic faz Kids Day para empresas, treina equipes de lazer, vende cursos, oferece oficinas e recreação, agencia recreadores para resorts e presta consultoria. O público vai do gestor de lazer de um resort ao RH de uma grande empresa.
É muita coisa para uma página só. Abaixo estão os erros que mais aparecem em sites desse segmento e a forma como a estrutura do Grupo Magic responde a cada um.
Por que site de recreação costuma parecer catálogo
Empresa de recreação cresce somando serviços. Começa com festas e eventos, chega aos hotéis, passa a treinar equipes, abre cursos. No segmento, é comum cada serviço novo entrar no site como mais um card.
A linha do tempo exibida na home do Grupo Magic mostra esse tipo de crescimento em quatro capítulos: a recreação em festas e eventos, a expansão pelo país, a criação da frente de treinamentos e o foco atual em projetos corporativos e marcas. Uma trajetória assim pede uma estrutura que dê a cada frente o próprio espaço.
O risco dessa soma é um site que lista tudo e não convence ninguém em particular. O gestor de lazer procura treinamento para a equipe e encontra, no mesmo lugar, oficina para festa infantil. O RH que quer um Kids Day esbarra em curso online.
Catálogo funciona para quem já sabe o que quer comprar. Quem contrata recreação quer saber se aquele fornecedor resolve o problema dele, no contexto dele.
Cada serviço fala com um comprador diferente, e o site precisa deixar essa diferença visível logo no primeiro clique.
Todos os serviços dividindo a mesma vitrine
A tentação é manter tudo na home, porque ela costuma ser a página mais visitada. Só que uma home que negocia tudo ao mesmo tempo não aprofunda nada.
Separei as frentes em páginas próprias: Kids Day, treinamentos, oficinas e festas, agenciamento e consultoria, além das páginas de venda dos cursos. A home continua apresentando o grupo inteiro, mas trabalha como porta de entrada, e não como um balcão onde tudo é negociado ao mesmo tempo.
O que ficou na home:
- a proposta de valor na primeira dobra, dizendo para quem o grupo trabalha: hotéis, resorts e grandes marcas;
- a faixa de marcas que o site exibe;
- a linha do tempo;
- os seis serviços em cards, cada um levando para a sua página;
- um bloco dedicado ao Kids Day, com as etapas do trabalho;
- os treinamentos em carrossel;
- os cases e as perguntas frequentes.
O ganho aparece em dois lugares. Na busca, cada página pode responder a uma pesquisa específica, como Kids Day corporativo ou treinamento para equipe de lazer. No anúncio, cada campanha ganha uma página de destino que continua a conversa que ela começou.
Já expliquei com mais calma o que muda quando a empresa tem várias linhas de serviço. Em turismo, a divisão aparece com outro nome, e o site de expedições com uma página por roteiro mostra como ela funciona quando o produto é uma viagem.
Páginas de serviço sem uma espinha em comum
Dividir em páginas resolve metade do problema. A outra metade aparece quando cada página é escrita de um jeito, com seções e chamadas diferentes. Quem passa de uma para outra precisa reaprender a ler o site.
No Grupo Magic, todas as páginas de serviço seguem a mesma espinha:
- hero com a promessa daquele serviço;
- o que é, explicado para quem nunca contratou;
- três benefícios;
- como o trabalho acontece, do contato à entrega, em três passos;
- galeria;
- um bloco de prova;
- perguntas frequentes;
- formulário com título próprio.
O formulário com título próprio muda a primeira impressão do contato. Ele não diz “Entre em contato”. Na página de Kids Day, pergunta “Quer um Kids Day para a sua empresa?”. Na de agenciamento, “Precisa reforçar a sua equipe de lazer?”. Na de treinamentos, “Quer treinar a sua equipe de lazer?”. A estrutura é a mesma. A conversa muda para cada público.
Espinha em comum também facilita a vida de quem mantém o site. Uma frente nova vira uma estrutura conhecida para preencher, e não uma página para inventar do zero.
Pedir orçamento sem perguntar data e número de participantes
Formulário com nome, e-mail e mensagem parece simples. Para recreação, fica incompleto. A primeira resposta do comercial vai ser outra pergunta: para quando, onde e para quantas pessoas?
Por isso o site usa um formulário em etapas para orçamento B2B, dividido em três partes:
- Sua demanda. Kids Day corporativo, treinamento e consultoria, recreação em evento ou hotel, palestra ou outro.
- Contexto. Empresa, cidade e estado, data prevista e número estimado de participantes.
- Contato. Nome, e-mail, WhatsApp e uma mensagem opcional.
Começar pelo tipo de demanda é intencional. É a pergunta mais fácil de responder, e ela coloca a pessoa em movimento. Os dados de contato ficam para o fim, quando quem preenche já contou o que precisa.
Do lado de quem recebe, o pedido chega com as informações que costumam atrasar a primeira resposta. Um Kids Day em várias cidades e uma oficina num hotel pedem conversas muito diferentes, e o formulário separa isso antes do primeiro contato. Como o grupo tem equipe própria no Rio de Janeiro e em São Paulo, a cidade informada no pedido já ajuda a planejar a resposta. Conto mais desse projeto ao escrever sobre sites para negócios cariocas que atendem hotéis e turistas.
O site de uma entidade com dois caminhos de conversão resolve um problema vizinho: separar públicos diferentes antes de a conversa começar.
Falar só português com hotel que recebe estrangeiro
Hotelaria de alto padrão recebe hóspede de fora e, muitas vezes, responde a grupos internacionais. Entre as marcas que o site do Grupo Magic exibe estão nomes da hotelaria internacional, e o próprio site destaca equipe bilíngue.
Um site só em português diz, sem querer, que a empresa fala só com brasileiros. Para quem vende para esse público, a versão em inglês é argumento comercial.
O Grupo Magic tem o site completo em inglês, com as mesmas páginas da versão em português e um seletor PT e EN no topo. A tradução cobre todas as páginas, não só um resumo. E cada uma indica ao Google qual é a sua versão no outro idioma.
Se você está decidindo se um site bilíngue para atender hotéis vale a pena, faça uma pergunta: quem aprova a contratação lê em que idioma? Se a resposta inclui alguém de fora do país, a tradução sai da lista de desejos e entra na de prioridades.
Esconder o caminho até a conversa
Empresa de recreação vive de conversa. Quase ninguém contrata Kids Day ou treinamento sem falar com alguém antes.
Mesmo assim, é comum o contato ficar escondido no fim da página ou num item de menu que ninguém procura. No Grupo Magic, o caminho aparece em camadas:
- botão “Solicitar proposta” no menu;
- botão flutuante de WhatsApp em todas as páginas;
- chamadas ao longo da home, como “Quero um Kids Day” e “Falar sobre treinamento”;
- megamenu de serviços com imagem e uma linha de descrição para cada frente;
- formulário no fim de cada página, com o prazo de resposta informado ao lado.
Nenhuma dessas chamadas é agressiva. Elas só estão onde a pessoa está no momento em que decide conversar.
O que um site para empresa de recreação organiza primeiro
Se eu tivesse que ordenar as prioridades para quem vai começar agora, a lista seria esta:
- Separe os serviços por público antes de pensar em layout. Quem compra Kids Day não é quem compra curso.
- Dê a cada frente uma página com a mesma espinha.
- Monte o formulário com as perguntas que o comercial faria na primeira ligação.
- Decida o idioma olhando para quem aprova a contratação.
- Distribua o caminho até a conversa em todas as camadas da página.
- Separe venda de curso de venda de serviço. No Grupo Magic, cada curso tem página própria, com módulos, instrutora e perguntas frequentes.
- Crie um lugar para conteúdo. O blog do grupo tem área de edição própria, e a equipe publica os textos por conta própria.
A prova, com marcas e cases, fica fora dessa lista por um motivo: ela só convence quando a estrutura em volta já está organizada. Um case bom perdido numa página confusa rende pouco.
Essa lista é o primeiro rascunho de todo site com uma página para cada serviço que eu desenho. Eu monto junto com o cliente, antes da primeira tela.
Se a sua empresa também soma serviços e sente que o site virou uma lista, me diz quais frentes você quer separar primeiro. Com essa resposta, a estrutura começa a aparecer.