A decisão de base desse projeto foi manter separados o site que ensina e o site que atende pacientes, mesmo com o mesmo médico por trás dos dois. Um site para cursos na área da saúde conversa com colegas de profissão e, por isso, precisa de outra estrutura, outra prova e outra linguagem.
O caso é o Instituto Dr. Célula Tronco, a frente de formação do Dr. Luiz Felipe Carvalho, ortopedista especialista em coluna vertebral e medicina regenerativa. Ele tem um site de atendimento, com patologias, tratamentos e agendamento. O instituto ganhou um site próprio para falar com profissionais da saúde que querem estudar a área.
Escrito assim, parece óbvio. Na prática, a tentação é colocar tudo no mesmo endereço, com “Cursos” no menu ao lado de “Agendar consulta”. Abaixo eu comparo os dois públicos e mostro o que muda em cada parte do site.
Dois sites, um mesmo médico
Os dois sites dividem a mesma assinatura visual e o mesmo rosto na foto. O que muda é para quem cada um existe.
- O site de atendimento leva o nome do médico no título, fala de dor, patologias e tratamentos e termina em agendamento.
- O site do instituto se organiza em quatro áreas: o instituto, os cursos, a ciência e a mídia. O botão principal leva para os cursos, e não para uma consulta.
Se quiser ver o outro lado, escrevi sobre o site de atendimento do mesmo especialista em formato de checklist.
Separar tem custo: são dois sites para manter. Juntar custa mais. O paciente passa a ler termos de sala de aula e pode entender aquilo como oferta de tratamento. O colega de profissão encontra um botão de agendar consulta e sente que entrou no lugar errado. Nenhum dos dois confia no que vê.
O que muda quando quem visita é aluno e não paciente
Esta é a comparação que eu uso para decidir o que vai para cada site:
- O que a pessoa quer resolver. O paciente quer entender o que sente e saber se aquele médico cuida do caso dele. O profissional quer saber se a formação cabe na carreira e na agenda dele.
- O que ela já sabe. O paciente precisa de explicação simples. O colega domina o vocabulário e desconfia de simplificação demais.
- O que ela aceita como prova. O paciente olha formação, registro e onde o médico atende. O colega olha publicações, sociedades, onde o professor treinou e quem já falou dele na imprensa.
- Qual é o próximo passo. Para o paciente, marcar uma avaliação. Para o aluno, entender turmas, datas e certificação antes de se inscrever.
- Quanto tempo leva a decisão. Consulta se marca em minutos. Formação costuma ser decidida com calma, muitas vezes depois de conversar com outros colegas.
Se o seu caso é o outro lado, o de quem atende paciente e precisa de agenda organizada, eu trato disso nas páginas para profissionais da saúde que atendem pacientes. Aqui o foco é quem ensina.
Site para cursos na área da saúde: do primeiro contato à certificação
Quem investe numa formação quer enxergar o caminho inteiro antes de começar. Por isso a home do instituto tem uma seção chamada “Do primeiro contato à certificação”, com quatro etapas em sequência: matrícula, base teórica, prática clínica e certificação.
Essa seção resolve três coisas de uma vez:
- Tira a dúvida sobre o formato. O profissional vê que existe teoria e existe prática antes mesmo de perguntar.
- Coloca a certificação no fim, como consequência. O certificado aparece como a última etapa de um percurso, e não como um produto vendido sozinho.
- Conversa com o menu. A área de cursos se divide em cursos online, workshops práticos, certificações e calendário de turmas, na mesma lógica da jornada.
Eu gosto de mostrar o percurso antes de qualquer formulário. Um colega que entende as etapas chega à conversa com perguntas melhores, e a conversa rende mais para os dois lados.
Autoridade que um colega de profissão reconhece
Número grande chama a atenção de qualquer visitante. Um colega de profissão, porém, procura outra coisa: onde o professor estudou, o que publicou e quem reconhece o trabalho dele.
Por isso o site do instituto distribui a autoridade em páginas próprias, cada uma com um tipo de prova:
- Quem somos e nossa missão, com a história do instituto e do fundador.
- Certificações, numa página só para esse assunto.
- Publicações, com a produção científica.
- Imprensa, notícias e vídeos, reunidos numa área de mídia.
Na home, a apresentação do fundador resume a formação: graduação em medicina, residência em ortopedia, fellowship em cirurgia da coluna pela AO Spine e diplomação pela American Academy of Regenerative Medicine. Logo no topo, uma grade de bandeiras mostra por onde passou a trajetória dele.
Cada prova precisa ter endereço. Publicação com o nome da revista, entrevista com o veículo, certificação com a instituição que emitiu. Colega de profissão confere, e o que não dá para conferir pesa contra.
Calendário de turmas e as páginas que pedem atualização constante
Um site de formação envelhece mais rápido que um site de consultório. A página de uma especialidade muda pouco de um ano para o outro. Uma turma abre, lota, termina e dá lugar à próxima.
No projeto, o calendário de turmas e os workshops práticos têm páginas próprias, separadas das páginas institucionais. Essa separação ajuda: o que muda toda semana não fica misturado com o que muda uma vez por ano.
- Calendário com data vencida é pior do que calendário nenhum. O colega que vê uma turma de meses atrás conclui que o instituto parou.
- Notícias e vídeos precisam de um responsável. Antes de publicar, alguém precisa estar definido para atualizar essas áreas.
- Turma sem data não precisa sumir. Ela pode virar uma lista de interesse. Mostro esse raciocínio em detalhe numa página de pré-lançamento de uma escola de dados.
O limite do que um site de formação pode dizer sobre a técnica
Este é o ponto mais delicado. Falar com colegas não tira o site da ética médica. Quem está por trás do instituto é médico, e eu trato a comunicação com o mesmo cuidado que a Resolução CFM 2.336/2023 exige na publicidade.
Em medicina regenerativa, esse cuidado é ainda maior. O conselho separa com rigor o que é reconhecido do que ainda é experimental. Um site de formação não é lugar para anunciar aplicação, eficácia ou resultado clínico, nem quando a frase parece dirigida só a profissionais.
Na prática, o texto de um site de formação na saúde segue algumas regras:
- Descrever a formação pela estrutura. Etapas, equilíbrio entre teoria e prática, certificação e datas. Não o que a técnica promete fazer num paciente.
- Deixar a discussão científica para as publicações. O lugar de dado clínico é o artigo com autor, revista e método, e não a chamada da home.
- Não transformar o nome da marca em sinônimo de tratamento. O nome de um instituto funciona como nome de escola, e o texto precisa tratá-lo assim, nunca como promessa do que a técnica faz.
- Nenhuma promessa de carreira. Retorno profissional garantido não entra.
- Aviso claro no rodapé. No projeto, o rodapé informa que o conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui a consulta médica.
Cada profissão tem o próprio conselho e o próprio limite, e o que muda em cada profissão com regra de publicidade está resumido na página de segmentos. Antes de publicar, o texto passa pela aprovação do médico que responde pelo instituto.
O site de quem ensina precisa aguentar a leitura de um colega exigente sem constrangimento. Se você mantém uma formação na saúde e ela ainda divide espaço com o seu consultório, me conta como as duas frentes estão organizadas hoje.