Site para empresa de consórcio: bastidores de um projeto em que todo número precisou de fonte

Categoria Bastidores
Leitura 8 min
Autor Figueiredo Neto
Data Agosto de 2026
Site para empresa de consórcio: mockup do site do Grupo InvestPro em navegador e celular

Consórcio é simples de explicar e difícil de fazer alguém acreditar, porque quem pesquisa chega com medo de golpe. Um site para empresa de consórcio vende confiança antes de vender cota: cada número com fonte, as administradoras apresentadas com clareza e um simulador que avisa que é só uma estimativa.

Estes são os bastidores do site do Grupo InvestPro, uma operação de consórcio com atuação nacional que intermedeia cotas de três administradoras autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central: Embracon, Consórcio Volkswagen e Stellantis Consórcio. O projeto passou por várias rodadas de ajuste com o time do cliente, e muitas das decisões importantes voltaram à mesma pergunta: isso aqui dá para provar?

Por que consórcio é difícil de vender pela internet

O produto não é novo. O problema é outro. O briefing descreveu o cliente final como alguém que desconhece o funcionamento real do consórcio, tem receio de golpe e desconfia de empresas sem credibilidade. No mercado, apontou informalidade e abordagem rasa.

Some isso a um produto financeiro regulado, com sorteio, lance, taxa de administração e reajuste, e o site ganha duas tarefas antes de qualquer venda:

  • Deixar claro quem faz o quê. A administradora administra o grupo. A InvestPro intermedeia e assessora. O rodapé explica isso com todas as letras, e o site se apresenta como intermediário, nunca como administradora.
  • Organizar públicos diferentes. O mesmo site fala com quem quer planejar a compra de imóvel, carro, moto ou caminhão, com representantes comerciais que querem operar como parceiros, com quem procura carta contemplada e com quem quer trabalhar na empresa.

Quatro públicos com decisões diferentes não cabem numa página só. Por isso o projeto virou um site com páginas internas para cada frente de negócio, e não uma landing page única. Produto financeiro com vários públicos costuma pedir essa arquitetura. Vale comparar com o site de uma corretora de seguros e benefícios.

A regra que guiou o projeto: número só com fonte

Em site de produto financeiro, um número sem origem custa mais do que rende. Basta um visitante desconfiado procurar a informação e não encontrar para a página inteira perder crédito.

A regra ficou escrita no briefing consolidado: nenhum número ilustrativo, e todo dado institucional acompanhado de fonte e data. Na prática, os números que aparecem no site são das administradoras, e não da InvestPro. Quando a home informa que a Embracon entregou mais de 600 mil bens desde 1988, a mesma área cita os sites oficiais das administradoras e o ano de 2026 como fonte.

A regra se estendeu para os textos:

  • Nenhuma promessa sobre contemplação. O site repete que ela acontece por sorteio ou lance, conforme o regulamento do grupo, sem garantia de data.
  • Custos ditos por inteiro. Taxa de administração, fundo de reserva e reajustes aparecem explicados, inclusive no rodapé.
  • Revisão jurídica antes de publicar. O briefing colocou a validação jurídica das afirmações como condição para ir ao ar.
  • Depoimento só com autorização. A orientação é usar foto, nome e cidade autorizados pelo cliente, nunca iniciais genéricas nem rosto criado por inteligência artificial.

Quando o dado não tem fonte, ele sai da página. O espaço vazio incomoda menos do que a dúvida.

O mesmo raciocínio aparece fora do mercado financeiro. Em outro artigo, falo sobre a agência que trocou um número incerto no topo da página pelo mesmo motivo.

Três administradoras, uma página para cada

Para quem compra consórcio, a administradora é a garantia de solidez. Para quem quer ser representante, é o argumento comercial. Nos dois casos, ela precisa de peso.

O briefing tratou as administradoras como pilar central do site, e isso virou estrutura:

  • Na home, logo abaixo do topo, um bloco apresenta as três com o mesmo peso institucional.
  • Uma página de administradoras leva a um hub próprio para cada marca, com produto, categorias e simulação.
  • Cada página de categoria deve mostrar só as administradoras que oferecem aquele tipo de consórcio, para a informação bater do começo ao fim.
  • A frente de parceiros usa as três como argumento: operar com três administradoras nacionais desde o primeiro dia.

Houve também um cuidado que pouca gente vê. Marcas grandes têm regras de uso de logotipo. A Stellantis, por exemplo, tem um guia com assinatura, tamanho mínimo e fundos permitidos. Enquanto os arquivos oficiais não chegavam, a decisão foi escrever o nome da marca na tipografia do site, em vez de redesenhar um logo.

Um logo improvisado, num site que pede confiança, seria um número sem fonte em forma de imagem.

Simulador que estima sem prometer

Quem pesquisa consórcio quer ter uma ideia de parcela. Tirar o simulador seria esconder a informação que o visitante mais procura. Deixar o simulador sem aviso seria transformar uma conta aproximada em compromisso.

Nas páginas de consórcio, o visitante escolhe o crédito e o prazo e recebe uma estimativa. O aviso fica colado no resultado, e não perdido no rodapé:

  • o resultado é chamado de estimativa ilustrativa;
  • o texto informa o que a conta não considera, como fundo de reserva, seguros e reajustes;
  • as condições finais são definidas pela administradora;
  • a contemplação acontece por sorteio ou lance, sem garantia de data.

As perguntas frequentes reforçam o ponto. Quando o visitante pergunta se a simulação é o valor final, a resposta começa dizendo que é uma estimativa.

O simulador também serve de ponte. Depois da estimativa, o botão leva ao contato com um consultor. A conta abre a conversa, e o consultor explica o que a conta sozinha não mostra.

Mais imagem e menos texto por dobra

Um produto cheio de regras convida a escrever muito. O briefing trouxe o caminho oposto, numa regra aprovada pelo cliente: a percepção da página deveria ser de 80% imagem e composição e no máximo 20% texto. A referência aprovada foi o site de uma montadora, guiado por fotografia grande e pouco texto por seção.

Várias decisões saíram dessa regra:

  • Um botão principal por dobra, com no máximo um secundário discreto.
  • WhatsApp em verde e uma vez por dobra, além do botão flutuante.
  • A cidade saiu do topo. A empresa tem endereço em Londrina, mas a operação é nacional. A cidade ficou no rodapé, onde informa sem limitar. O mesmo cuidado orienta a página sobre empresas com sede em Londrina e clientes no país todo.
  • O slogan fica intacto. “Pensar no futuro. É planejar no presente.” aparece no topo da home, junto do título, e nunca é parafraseado.
  • As perguntas frequentes continuam em texto. Elas fazem parte dos 20% porque é ali que o visitante tira dúvida e que o buscador entende o assunto.

Numa reunião de revisão, o time do cliente pediu para tirar o dourado da paleta e alinhar os textos à esquerda. Os dois pedidos seguiram a mesma direção: leitura mais direta, com a fotografia fazendo o trabalho pesado.

Repetir o comparativo foi decisão, não descuido

O site repete comparativos em mais de uma página, para mostrar a diferença de uma jornada com assessoria. Na mesma reunião de revisão, o time do cliente comentou que as tabelas davam a sensação de estar vendo a mesma tela de novo.

Eu defendi manter a repetição e expliquei o motivo. Quem chega por anúncio não entra pela home. Aterrissa direto na página de categoria ou na página da frente que o anúncio prometeu. Para essa pessoa, o comparativo da home não existe. Se ele não estiver na página em que ela caiu, a objeção fica sem resposta. A repetição também ajuda cada página a se sustentar sozinha na busca.

O cliente aceitou manter o que era relevante, e a tarefa passou a ser outra: enxugar o texto de cada tabela e cortar só as duplicações que não ajudavam ninguém.

Repetição que responde objeção na página certa é estratégia. Repetição que só ocupa espaço é ruído.

É a mesma lógica do texto sobre o erro de mandar anúncio para a página inicial. A página de destino precisa ser tão completa quanto a dúvida de quem clicou.

O que o site para empresa de consórcio ganhou com páginas sem menu

O site completo tem menu, rodapé e caminhos para todas as frentes. Isso é ótimo para quem pesquisa com calma e ruim para quem clicou num anúncio de consórcio de imóvel e só quer entender aquela oferta.

Por isso, as landing pages de categoria ganharam versões limpas, sem menu e sem rodapé, feitas para receber tráfego pago. Elas ficam fora da busca orgânica, para não disputar posição com as páginas do site. O combinado foi começar o tráfego por essas páginas.

O que o projeto ganhou com isso foi estrutura, e não um número para exibir:

  • Dois caminhos para dois momentos. O site para quem pesquisa, a página limpa para quem já clicou num anúncio.
  • Um formulário curto. Nome, WhatsApp, objetivo, estado e cidade, com consentimento conforme a LGPD e link para a política de privacidade.
  • Um blog para as dúvidas longas. Seis artigos tratam de temas como consórcio e financiamento, carta contemplada e planejamento patrimonial, e tiram das páginas de venda as explicações que não cabem nelas.

Consórcio vai continuar sendo um produto que pede explicação. O site não substitui a conversa com o consultor. Ele faz o visitante chegar a ela sem a sensação de estar sendo enganado.

Quando o produto é financeiro, eu começo pelos números que o site vai conseguir sustentar. Me conta quais números você tem hoje e de onde eles vêm.

Figueiredo Neto
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