Site para empresa de logística: os bastidores de um projeto com dois públicos e um painel

Categoria Bastidores
Leitura 7 min
Autor Figueiredo Neto
Data Agosto de 2026
Site para empresa de logística da Pakot Express no navegador e no celular, com os botões Quero ser cliente e Quero ser motorista na primeira dobra

Separar, logo na primeira dobra, quem quer contratar a operação de quem quer trabalhar nela é a primeira tarefa de um site para empresa de logística; a segunda é deixar o time manter cidades, cases e artigos em dia sem esperar por terceiros. Foram esses os dois eixos do projeto que desenhei para a Pakot Express, empresa de logística urbana que atua com última milha e Line Haul.

O contraste começa no título. A maioria das empresas do setor abre o site falando de entrega rápida, frota e prazo. A home da Pakot abre com uma frase que parece ir contra o próprio mercado: "Não vendemos apenas entregas". Logo depois vem a explicação. A empresa coordena operações com tecnologia e uma rede qualificada de motoristas parceiros.

Essa frase define o resto do projeto. Se a empresa não vende só a entrega, o site não pode ser só uma lista de serviços. Ele precisa mostrar coordenação, controle e gente. E precisa fazer isso para dois públicos que não têm nada em comum, a não ser a mesma operação.

Uma operação, dois visitantes com pressas diferentes

Quem chega ao site de uma empresa de logística urbana costuma ser uma de duas pessoas.

A primeira é o gestor de uma empresa que precisa terceirizar entregas. Ele está comparando fornecedores, tem medo de perder o controle e quer entender se aquela operação aguenta o volume dele. A pressa dele é de segurança: quer ter certeza antes de marcar uma conversa.

A segunda é o motorista que quer rodar. Ele não quer ler sobre indicadores. Quer saber se tem trabalho, como funciona o cadastro e se vai ser tratado com respeito. A pressa dele é prática: quer começar.

Colocar essas duas pessoas no mesmo menu, com o mesmo botão de contato, obriga cada uma a procurar o próprio caminho. Por isso a primeira dobra da Pakot tem dois botões lado a lado: "Quero ser cliente" e "Quero ser motorista". O mesmo par aparece no menu, e a faixa do topo ainda leva direto para a área do motorista.

Quando o site tem dois públicos, a primeira decisão de design é deixar cada um se escolher em um clique.

Depois desse clique, cada visitante segue para uma página própria. A página de empresas termina num formulário de diagnóstico da operação. A de motoristas explica o caminho do cadastro até a primeira rota e o que a rede entrega para quem roda.

Quatro pilares na home, uma página para cada frente

O negócio da Pakot se organiza em quatro pilares, e a home apresenta todos numa seção só, com o título "Uma operação. Quatro pilares.":

  • Pakot Hub. A plataforma operacional que centraliza roteirização, distribuição de demandas, comunicação e comprovantes.
  • Rede Pakot. A comunidade de motoristas parceiros.
  • Pakot Performance. O programa de reconhecimento, com bonificações e prioridade nas melhores rotas para quem entrega bem.
  • Pakot Insights. Indicadores e dashboards para o cliente acompanhar a jornada logística.

Na home, cada pilar ganha um parágrafo curto. O detalhe fica nas páginas internas: Torre de Controle, Last Mile, Line Haul, Pakot Hub e Pakot Insights têm páginas próprias, além das páginas de empresas e de motoristas. Rede Pakot e Pakot Performance vivem dentro da página de motoristas, porque é para o motorista que eles fazem sentido.

Essa divisão tem dois motivos. O primeiro é leitura: um gestor que só precisa de transferência entre bases não deveria atravessar um texto sobre última milha para achar o que procura. O segundo é busca: cada frente responde a uma pergunta diferente no Google e merece título e descrição próprios.

É a mesma lógica que aplico quando um site institucional com painel para o time atualizar precisa crescer sem virar labirinto. A home resume e aponta. As páginas internas aprofundam.

Torre de Controle: mostrar o que o cliente não vê

Terceirizar a logística tem um medo embutido. A carga sai da empresa e some da vista. O cliente só volta a ter notícia quando a entrega acontece ou quando dá problema.

A Torre de Controle é a resposta da Pakot para esse medo, e o site trata a torre como o elo central da rede. Na home, ela aparece resumida em três frentes, cada uma com uma frase curta:

  • monitoramento em tempo real, com cada rota visível do início ao fim;
  • gestão de ocorrências, com desvios tratados no momento em que acontecem;
  • comunicação com motoristas, num canal direto entre a torre e a rua.

O visual dessa parte usa fotografia real da operação, com operadores na torre e motoristas na rua, no lugar de ilustração genérica de caminhão e mapa. Logística é um serviço que o cliente não enxerga. Quando o site mostra pessoas trabalhando, o controle deixa de ser uma ideia abstrata.

A torre também ganhou página própria, para quem quer entender como uma ocorrência vira decisão. Quem chega nela já está interessado, então o texto pode ir mais fundo sem cansar ninguém na home.

Cidades e cases que mudam sem abrir chamado

Uma operação logística muda de tamanho com frequência. Entra uma cidade nova, fecha um contrato, chega um depoimento, sai um artigo. Se cada mudança vira um pedido para quem fez o site, o site passa a descrever a operação de alguns meses atrás.

Por isso o projeto da Pakot inclui um painel próprio. Por ele, o time atualiza:

  • as cidades atendidas;
  • os cases;
  • os depoimentos;
  • as perguntas frequentes;
  • os artigos da área de insights;
  • o título e a descrição de cada página para o Google.

Os contatos que chegam pelo site ficam organizados no mesmo painel, separados do conteúdo.

Na rotina, isso muda a forma como a empresa usa o site. Quando atualizar é fácil, o time atualiza. Quando cada ajuste depende de outra pessoa, a lista de cidades fica parada no ano passado e ninguém percebe até um cliente perguntar.

Os depoimentos da home aparecem identificados pela função e pelo tipo de operação, como a gestão de operações de um cliente de e-commerce na última milha. Para um comprador B2B, isso já diz muito, porque mostra se quem fala enfrenta o mesmo problema que ele. Eu sempre prefiro esse formato a qualquer nome inventado para parecer mais convincente.

Conteúdo para quem decide a logística da empresa

Existe um terceiro visitante, que nem sempre quer contratar agora. É o diretor que ainda está entendendo o próprio problema. Ele pesquisa o que é uma torre de controle, quais indicadores acompanhar, se vale separar última milha de transferência entre bases.

Para essa pessoa, a home traz a seção "O que a torre enxerga", com três artigos:

  • o que é uma torre de controle logística e por que a operação precisa de uma;
  • os indicadores de última milha que a diretoria deveria acompanhar;
  • Line Haul orientado por dados.

Nenhum dos três é propaganda disfarçada. Cada um responde a uma pergunta que aparece antes da primeira reunião. Quem lê sobre indicadores chega à conversa com um vocabulário parecido com o da empresa, e a reunião começa num ponto mais adiantado.

Logo abaixo dos artigos, a home fecha com um funil duplo, de novo separando os públicos. Para empresas, um diagnóstico gratuito da operação com quem coordena a torre. Para motoristas, o convite para entrar na Rede Pakot e rodar com recorrência. Quem leu tudo não precisa voltar ao topo para achar o próprio botão.

Para ver um comprador parecido resolvido numa estrutura mais enxuta, escrevi sobre a página única de uma empresa de telemetria, que vende controle de frota para empresas de vários portes.

O que um site para empresa de logística precisa separar

Olhando o projeto inteiro, o trabalho foi mais de separar do que de acrescentar. Se você está planejando o site da sua operação, estas são as separações que eu faria primeiro:

  • Cliente e parceiro. Quem contrata e quem executa precisam de portas diferentes desde a primeira dobra.
  • Resumo e detalhe. A home apresenta as frentes em poucas linhas. Cada frente com peso comercial ganha página própria.
  • Promessa e bastidor. Monitoramento, ocorrências e comunicação com motoristas merecem espaço visível, com fotos reais da operação.
  • Prova da empresa e prova de terceiros. Os números da operação vêm da própria empresa. Logos de marcas atendidas e depoimentos por função mostram quem já confiou, e o mapa de cobertura mostra até onde a operação chega.
  • Conteúdo fixo e conteúdo vivo. Cidades, cases, depoimentos e artigos mudam. Eles precisam de painel, não de fila de alteração.

Separar públicos não é exclusividade da logística. A mesma lógica aparece em qualquer negócio que atende gente com interesses diferentes, como o site de uma corretora que fala com quatro públicos.

Um site que trata o cliente e o motorista como a mesma pessoa acaba falando mal com os dois. Me mostra como a sua operação se divide hoje e eu desenho com você as portas de entrada.

Figueiredo Neto
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