A decisão mais difícil do site da Actti foi apagar uma seção inteira que já estava pronta. Um site para construtora de obras corporativas convence quando mostra só o que a empresa executa, com foto real de obra, cases com escopo e prazo e um caminho curto até o orçamento.
A Actti Engenharia é uma construtora que atua em três frentes: obras, facilities e manutenção predial e industrial. O público é técnico. Gerente de expansão, engenheiro de manutenção, gestor de facilities. Gente que já viu muita apresentação bonita e aprendeu a desconfiar.
Depois da primeira versão da página, sentei com o cliente para uma rodada de ajustes. Dessa conversa saíram as perguntas que organizam este texto. Os títulos abaixo são aquelas dúvidas, reescritas com as minhas palavras, e cada resposta mostra o que mudou.
Ouvir essas perguntas com atenção é metade do projeto. Contei isso em outro texto, sobre o que aprendi ouvindo clientes em 300 projetos, e a Actti é um bom exemplo.
Precisa mesmo de botão de WhatsApp no topo?
Na primeira versão, o topo tinha um botão verde de WhatsApp ao lado do menu. Na reunião, a pergunta foi direta: esse botão precisa estar ali?
A resposta foi não, por dois motivos.
O primeiro é que o topo já tinha um chamado para solicitar orçamento. Dois botões disputando atenção no mesmo lugar dividem a decisão do visitante. O segundo é visual. O verde é a cor do WhatsApp, não da Actti, cuja identidade é escura, com detalhes em dourado. Numa página que vende método e organização, cada elemento do topo precisa falar a língua da marca.
O botão verde saiu do topo. Ficou o botão flutuante no canto da tela, que acompanha a rolagem e está sempre ao alcance do polegar no celular. Na seção de orçamento, o link de WhatsApp passou a seguir a cor da identidade, igual ao e-mail e ao Instagram.
O contato continua a um toque de distância. Só parou de brigar com a marca.
Por que mostrar foto de obra em vez de imagem de catálogo?
Essa foi a pergunta que mais mudou a página.
Engenheiro que contrata obra corporativa costuma olhar uma foto e perguntar: essa obra é mesmo de vocês? Imagem de catálogo e render não respondem isso. Pior, levantam a suspeita.
A resposta foi uma seção nova, "Veja na prática", com uma galeria de registros reais do dia a dia em campo: acabamento de teto em retrofit, equipe em obra, instalação de esquadrias, drywall e instalações, execução de piso de concreto. As fotos entram sem arte por cima, com legendas curtas que dizem só o que está acontecendo.
O título da seção fala em obras reais, e o texto deixa claro que aquilo não é banco de imagens. Para quem olha a página com olhar de engenheiro, essa frase explícita faz diferença.
Uma foto de obra real mostra coisas que o engenheiro sabe ler: organização do canteiro, equipamento de segurança, acabamento. Ela prova método sem precisar de adjetivo. É o mesmo raciocínio do site de uma indústria que mostra capacidade antes do texto, só que trocando máquina por canteiro.
A galeria ficou entre os cases e o processo. Quem acabou de ver o resultado de uma obra conhecida vê, logo em seguida, como é o trabalho no chão.
Quantos cases cabem na página principal?
A tentação, quando a empresa tem muitas obras boas, é colocar todas na página principal. O visitante não acompanha. Depois de alguns cards, os cases viram uma lista, e lista ninguém lê com atenção.
A página ficou com quatro destaques, cada um com um número e uma frase, como o site apresenta:
- Cinemark: 40 dias, retrofit sem parar a operação.
- Brasmetal: 1.600 m², dois andares modernizados em 45 dias.
- Blue Fit: mais de 10 unidades, padrão de marca em escala nacional.
- CVC: de 3 a 4 lojas por mês, implantação em shoppings de São Paulo.
Por que quatro? Porque cada um fala com um tipo de contratante: entretenimento, indústria, rede de academias e varejo de turismo. Quem lê encontra um vizinho de setor. E cada número responde a uma preocupação diferente: prazo curto, área, escala e ritmo de implantação.
O restante foi para uma página de portfólio separada, com um link claro logo abaixo dos destaques. Quem quer profundidade tem para onde ir. Quem só precisa de um sinal de confiança não se perde.
Os números gerais, como os mais de 180 mil m² construídos e reformados que o site exibe, ficam na primeira dobra. Os cases trazem o número de cada obra. Um não substitui o outro.
O que fazer com um serviço que não é da empresa?
Volto aqui à decisão do começo.
Uma seção de laudos técnicos chegou a ser montada. Na rodada de ajustes, ficou definido que a página da Actti fala só dos serviços que a própria Actti executa, e os laudos são prestados por outra empresa. A seção saiu inteira, junto com o item correspondente do menu.
Tirar conteúdo pronto dói mais do que colocar. Parece desperdício. Mas pense no contratante que chega pela seção de laudos, pede orçamento e descobre, no primeiro contato, que aquele serviço é com outra empresa. A confiança quebra justo no momento em que deveria começar.
Um site promete o que a empresa entrega. Nem uma seção a mais.
Existe também um ganho de clareza. Com três frentes bem definidas, a página diz com mais precisão o que a Actti faz, e o visitante não precisa adivinhar onde termina o serviço de uma empresa e começa o de outra.
Obra, facilities e manutenção na mesma página confundem?
A dúvida é legítima. Obra é projeto com começo e fim. Facilities e manutenção são contratos contínuos. Muitas vezes, quem decide uma coisa não é quem decide a outra.
A página resolve isso com três blocos de serviço lado a lado, cada um com uma descrição curta e três itens concretos. Obras & Construção fala de retrofit, ampliações e gestão de cronograma. Facilities fala de gestão de fornecedores, contratos e SLAs. Manutenção fala de atendimento preventivo, corretivo e emergencial, com indicadores como MTTR e MTBF.
Os termos técnicos estão ali de propósito. O gestor de facilities procura exatamente essas palavras e reconhece nelas alguém que fala a língua dele.
Duas escolhas amarram as frentes. A primeira é o formulário de orçamento, que pergunta o serviço de interesse e oferece a opção "Não tenho certeza", para quem ainda não sabe em que caixa o próprio problema cabe. A segunda é uma chamada curta antes do orçamento: "Você resolve tudo com uma única empresa responsável." O bloco ficou enxuto, com essa frase e uma linha de apoio, porque ela sozinha já explica por que as três frentes convivem na mesma página.
Quando um site para construtora de obras corporativas deve receber anúncio?
Essa pergunta aparece em quase todo projeto B2B, e a minha resposta costuma frustrar um pouco: quando tudo conta a mesma história.
O contratante técnico não decide pelo anúncio. Ele clica, abre o site, procura a empresa nas redes, pede a apresentação comercial e, às vezes, conversa com alguém que já contratou. Se a foto da obra no site é uma e a da apresentação é outra, se o tom muda de um canal para o outro, o anúncio pagou para levar a pessoa até uma inconsistência.
Por isso eu recomendo anunciar só depois de alinhar site, apresentação comercial e perfis nas redes. Não precisa estar perfeito. Precisa estar coerente.
Do lado da página, a Actti já tem o que um anúncio pede: chamado para orçamento na primeira dobra, prova logo em seguida, formulário que separa o tipo de serviço e WhatsApp com mensagem pronta dizendo que a pessoa veio pelo site. Tudo isso cabe numa landing page para empresa que vende serviço técnico sem cara de panfleto.
Com outro comprador técnico, o mesmo cuidado aparece no site de locação de andaimes que abre pela dor da parada de manutenção.
Obra boa guardada só na galeria do celular não convence nenhum engenheiro. Separe as obras de que você mais se orgulha e me conte sobre elas. Começo pelas perguntas que o seu contratante faria sobre cada uma.