O que aprendi entregando 300 projetos

Categoria Empreendedorismo
Leitura 6 min
Autor Figueiredo Neto
Data 2025
O que aprendi entregando 300 projetos

A maioria das pessoas acha que design é sobre deixar as coisas bonitas. Depois de 300 projetos, posso dizer com certeza: essa é a parte mais fácil.

O difícil é entender o negócio por trás do projeto. O problema real que o cliente tem, mas nem sempre consegue articular. A distância entre o que ele pede e o que ele precisa. E a coragem de falar isso antes de abrir o Figma.

Aprendi isso da forma mais lenta possível. Errando.

Comecei achando que era sobre execução

Nos primeiros anos, eu media o meu valor pela qualidade técnica do que entregava. Layout limpo, tipografia precisa, código organizado. Achava que era isso.

O cliente aprovava. Eu ficava satisfeito. E às vezes, mesmo assim, o projeto não funcionava.

Demorei para entender o motivo. A execução estava certa, mas a estratégia estava errada. Eu estava resolvendo o problema errado com muita competência.

O projeto mais importante não está no Figma

Existe um momento em cada projeto que vale mais do que tudo que vem depois. É a conversa antes de começar.

Quando você para de perguntar "o que você quer?" e começa a perguntar "o que precisa acontecer quando o visitante chegar nessa página?", tudo muda. O escopo muda. O design muda. O resultado muda.

A maioria dos briefings que recebi ao longo dos anos começava com uma solução já definida. "Preciso de uma landing page." Ok. Mas por quê? Para quem? O que você quer que essa pessoa faça? Quem é ela? O que ela já sabe sobre você?

Essas perguntas incomodam. E são exatamente por isso que fazem a diferença.

Cliente feliz não é o mesmo que projeto bem-sucedido

Essa foi difícil de aceitar.

Tem cliente que aprova tudo na primeira versão, paga na hora e some. Três meses depois você descobre que a página não converteu nada. Ele não reclama, não volta. Só deixa de existir.

E tem cliente que questiona cada detalhe, pede revisão atrás de revisão, te faz pensar de novo. E no fim, o projeto entregue é melhor do que você imaginava no início. Ele volta. Indica. Vira parceiro.

Aprendi a valorizar o segundo tipo.

Simplicidade é mais difícil do que complexidade

Todo iniciante quer mostrar o que sabe. Coloca tudo na página. Efeitos, animações, informação em excesso. Parece mais trabalho. Parece mais valor.

Não é.

Tirar o que não precisa estar ali é mais difícil do que adicionar. Saber o que deixar de fora exige entendimento do problema, do público e do objetivo. Exige maturidade.

Os melhores projetos que entreguei são os mais simples. Não porque foram fáceis. Porque eu sabia exatamente o que podia sair.

O que 300 projetos realmente ensinam

Ensinam que todo negócio tem um problema único. Que receita pronta não existe. Que o cliente que parece difícil no início muitas vezes é o que mais te faz crescer.

Ensinam que design é ferramenta, não fim. Que estratégia sem execução é só intenção. E que execução sem estratégia é só ruído.

E ensinam, acima de tudo, que o trabalho mais importante é o que você faz antes de começar.

Figueiredo Neto
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