A maioria das pessoas acha que design é sobre deixar as coisas bonitas. Depois de 300 projetos, posso dizer com certeza: essa é a parte mais fácil.
O difícil é entender o negócio por trás do projeto. O problema real que o cliente tem, mas nem sempre consegue articular. A distância entre o que ele pede e o que ele precisa. E a coragem de falar isso antes de abrir o Figma.
Aprendi isso da forma mais lenta possível. Errando.
Comecei achando que era sobre execução
Nos primeiros anos, eu media o meu valor pela qualidade técnica do que entregava. Layout limpo, tipografia precisa, código organizado. Achava que era isso.
O cliente aprovava. Eu ficava satisfeito. E às vezes, mesmo assim, o projeto não funcionava.
Demorei para entender o motivo. A execução estava certa, mas a estratégia estava errada. Eu estava resolvendo o problema errado com muita competência.
O projeto mais importante não está no Figma
Existe um momento em cada projeto que vale mais do que tudo que vem depois. É a conversa antes de começar.
Quando você para de perguntar "o que você quer?" e começa a perguntar "o que precisa acontecer quando o visitante chegar nessa página?", tudo muda. O escopo muda. O design muda. O resultado muda.
A maioria dos briefings que recebi ao longo dos anos começava com uma solução já definida. "Preciso de uma landing page." Ok. Mas por quê? Para quem? O que você quer que essa pessoa faça? Quem é ela? O que ela já sabe sobre você?
Essas perguntas incomodam. E são exatamente por isso que fazem a diferença.
Cliente feliz não é o mesmo que projeto bem-sucedido
Essa foi difícil de aceitar.
Tem cliente que aprova tudo na primeira versão, paga na hora e some. Três meses depois você descobre que a página não converteu nada. Ele não reclama, não volta. Só deixa de existir.
E tem cliente que questiona cada detalhe, pede revisão atrás de revisão, te faz pensar de novo. E no fim, o projeto entregue é melhor do que você imaginava no início. Ele volta. Indica. Vira parceiro.
Aprendi a valorizar o segundo tipo.
Simplicidade é mais difícil do que complexidade
Todo iniciante quer mostrar o que sabe. Coloca tudo na página. Efeitos, animações, informação em excesso. Parece mais trabalho. Parece mais valor.
Não é.
Tirar o que não precisa estar ali é mais difícil do que adicionar. Saber o que deixar de fora exige entendimento do problema, do público e do objetivo. Exige maturidade.
Os melhores projetos que entreguei são os mais simples. Não porque foram fáceis. Porque eu sabia exatamente o que podia sair.
O que 300 projetos realmente ensinam
Ensinam que todo negócio tem um problema único. Que receita pronta não existe. Que o cliente que parece difícil no início muitas vezes é o que mais te faz crescer.
Ensinam que design é ferramenta, não fim. Que estratégia sem execução é só intenção. E que execução sem estratégia é só ruído.
E ensinam, acima de tudo, que o trabalho mais importante é o que você faz antes de começar.