Um erro frequente de quem monta um site para palestrante corporativo é transformar 25 anos de carreira numa lista de cargos em ordem cronológica. Currículo mostra de onde você veio, e o site precisa mostrar o que uma empresa pode contratar de você agora.
Dá para entender de onde ele vem. É o formato que o executivo conhece: foi assim que ele se apresentou a vida inteira, em processo seletivo, em conselho, em reunião de diretoria. Só que quem contrata palestra ou mentoria não está recrutando ninguém. Está resolvendo um problema da empresa.
Essa virada guiou o site de Marcelo Thieme, engenheiro químico que fez carreira na indústria, chegou a vice-presidente comercial e hoje trabalha com palestras, mentoria e consultoria para executivos e empresas. É o exemplo que uso aqui para comparar, ponto a ponto, o que muda entre um currículo online e um site que vende.
Currículo conta quem você foi, o site mostra o que você entrega
A comparação fica clara quando você coloca os dois lado a lado:
- Organização. O currículo é organizado pelo tempo. O site é organizado pela necessidade de quem contrata.
- Leitor. O currículo é lido por quem já decidiu olhar com calma. O site precisa segurar quem chegou por indicação, pelo Google ou por um post, e decide em poucos segundos se continua.
- Final. O currículo termina na última função. O site termina numa conversa.
Quem contrata uma palestra para a convenção de vendas quer saber três coisas: sobre o que essa pessoa fala, se ela tem lastro para falar disso e como pedir uma proposta. A trajetória responde só a segunda pergunta.
Por isso o topo do site do Marcelo não abre com cargo. Abre com a proposta de trabalho, "A Engenharia da Performance Humana e Organizacional", e com um botão para um diagnóstico estratégico. A carreira aparece logo depois, na seção Sobre, como lastro.
Quem sai de uma carreira corporativa para trabalhar por conta própria já fez uma escolha de posicionamento. Escrevi sobre construir uma carreira com intenção em outro texto. O site é o lugar onde essa intenção fica visível para quem ainda não conhece você.
Números de carreira: onde entram e onde atrapalham
Marcelo tem números que muita gente gostaria de ter. O site exibe mais de 25 anos de atuação, operações coordenadas em mais de 20 países, mais de 230 liderados em engenharia, manufatura e área comercial, sete anos na presidência de um instituto do setor de acrílico e passagens por Unilever, Rhodia e Unigel. Também cita o prêmio ABIQUIM de excelência em exportação.
Onde entram: numa faixa própria, depois que o visitante já entendeu o que ele faz. Nesse ponto, os números respondem a pergunta "por que ouvir essa pessoa". No site, eles ganharam uma seção só deles, em formato de dados, com uma linha curta de contexto para cada um.
Onde atrapalham: no topo, antes da proposta. Um número grande sem contexto vira troféu. O visitante lê, se impressiona e continua sem saber o que contratar.
Também atrapalham quando se misturam com promessa. Número de carreira é credencial do profissional, não garantia do que vai acontecer na empresa de quem contrata. Mantê-los numa seção de dados, atribuídos à trajetória, evita que o leitor faça essa confusão.
Credencial responde se você pode falar. Não responde o que você vai entregar.
Quatro soluções no lugar de uma lista de temas
Palestrante costuma listar temas: liderança, alta performance, gestão, vendas, cultura. A lista cresce e o comprador fica sem saber o formato, o público e o tamanho do trabalho.
No site do Marcelo, a carreira virou quatro soluções com nome de produto:
- Palestras de Alto Impacto, para convenções e lideranças.
- Mentoria & Consultoria B2B, com atendimento personalizado.
- Engenharia Financeira & Consórcio.
- Biotecnologia & Performance.
Cada uma corresponde a um jeito diferente de uma empresa comprar. O RH que organiza a convenção procura palestra. O diretor que quer rever a estrutura de decisão procura consultoria. Cada solução abre um painel com descrição curta e um botão para solicitar proposta. Para quem ainda não sabe qual das quatro faz sentido, a seção termina com um convite para um diagnóstico.
Um cuidado que vale para qualquer palestrante: frentes que tocam em produto financeiro ou em ciência aplicada ao comportamento pedem linguagem de metodologia de desenvolvimento executivo. Não é lugar para promessa de ganho nem de efeito sobre a saúde.
É a lógica que uso numa landing page para quem vende conhecimento: primeiro o que se contrata, depois por que confiar, por fim como conversar.
Mídias, livros e imprensa sem virar mural de troféus
Profissional com trajetória longa acumula entrevista, artigo, prêmio e livro. A tentação é empilhar tudo numa parede de logos e capas.
A seção Mídias do site organiza esse material em quatro abas: Blog, Artigos Científicos, Imprensa e Livros. Cada item é um card com título e resumo curto. Quem quer ler sobre um assunto encontra. Quem só quer conferir a presença na imprensa também encontra, sem atravessar o resto.
Mural impressiona e não informa. Card com título mostra do que o palestrante fala, e isso ajuda o comprador a imaginar aquela pessoa no palco do evento dele.
Os cards são gerenciáveis pelo painel: dá para adicionar, remover e editar. Saiu uma entrevista nova, entra um card novo. É um raciocínio parecido com o de outro projeto do blog, o site de uma produtora que parece o próprio trabalho: o conteúdo é a prova, desde que esteja organizado do jeito que as pessoas procuram.
Site para palestrante corporativo: conversa direta ou formulário?
Aqui a comparação é outra. Formulário longo faz sentido quando existe volume de pedidos, triagem e uma equipe comercial para responder. Palestrante que vende a própria agenda costuma receber poucos pedidos, cada um com peso grande, e cada um merece conversa.
No site do Marcelo, a seção final se chama "Vamos conversar", e o convite é "Fale diretamente comigo". A primeira pessoa não é detalhe de estilo. Quem contrata mentoria quer saber que vai falar com ele, não com uma central de atendimento. Na mesma seção, o site informa só "São Paulo, Brasil": a cidade orienta a logística do evento, e o resto se acerta na conversa. Deixei numa página própria o que penso sobre criação de sites em São Paulo para palestrantes e mentores.
A newsletter no rodapé cumpre outro papel: guarda o contato de quem ainda não quer contratar agora. Esses cadastros ficam listados no painel, para quando fizer sentido retomar a conversa.
A página de um artista que vende a própria apresentação segue o mesmo princípio. Quando a pessoa é o produto, o primeiro contato precisa ser com ela.
Um painel para quem não tem tempo de pedir alteração
Executivo com agenda cheia não vai abrir chamado para trocar uma foto. Se cada ajuste depende de outra pessoa, o site congela no dia da entrega e começa a envelhecer.
O painel do site edita todas as seções: marca, topo, sobre, carrossel de fotos, números, soluções, mídias, contato e rodapé. Também permite ajustar o título e a descrição que aparecem no Google, as tags de medição e o número de WhatsApp.
Um detalhe protege o site de um dia ruim: o conteúdo padrão continua guardado na própria página. Se o painel sair do ar, o visitante vê o texto original, e não uma tela em branco.
O projeto passou por três etapas: wireframe, versão aprovada e, depois, a versão com painel. Essa ordem importa. Primeiro a estrutura precisa funcionar com o conteúdo aprovado. Só depois faz sentido entregar a chave para editar.
Sua trajetória é sólida e o site ainda parece currículo? Me diga o que você vende hoje. Com essa lista em mãos, separo o que é credencial do que é solução que uma empresa consegue contratar.