Se você vende equipamento por projeto e colocou carrinho com preço fixo no site, é provável que esteja atrapalhando a própria venda. Nesse caso, um catálogo online com pedido de orçamento funciona melhor: o comprador monta a lista com quantidades, envia a cotação e o vendedor responde com uma proposta em PDF.
Foi esse o caminho que desenhei para a FyreTech Machine, marca de equipamentos profissionais para academias, studios e centros de treinamento.
O raciocínio serve para quem pesquisa como fazer um site para fabricante de equipamentos de academia, mas vale para qualquer produto B2B vendido por lista, volume e projeto. Abaixo, o passo a passo.
Quando o carrinho de compras atrapalha a venda
Carrinho funciona quando o preço é fechado e a compra é individual. Um tênis, um livro, um relógio.
Equipamento de academia segue outra lógica. Quem monta ou renova uma academia compra um conjunto: máquinas de musculação, cardio, bancos, racks, acessórios. A quantidade mexe no valor. O espaço mexe na escolha. E muitas vezes o cliente ainda nem sabe quais máquinas cabem no layout.
O próprio site da FyreTech oferece projeto sob medida, com planejamento do layout da academia e indicação de equipamentos para cada espaço. Um botão de comprar com preço de vitrine contradiz essa promessa. Na prática, ele cria três problemas:
- o comprador compara um preço de prateleira com um projeto que ainda nem foi desenhado;
- a condição por volume, que é onde a negociação acontece, desaparece da conversa;
- o vendedor perde a chance de entender o projeto antes de responder.
Na venda B2B sem carrinho de compras, o trabalho do site termina quando a lista chega ao vendedor bem organizada.
Quando o produto tem preço de etiqueta, o caminho se inverte, e a loja de relógios com painel próprio resolve checkout, estoque e pagamento na mesma visita.
Passo 1: organizar o catálogo do jeito que o comprador pensa
Dono de academia não pensa em código de produto. Pensa em área de treino. O que eu tenho para peito, para costas, para pernas, para cardio?
O catálogo da FyreTech se organiza assim. O menu de equipamentos abre em blocos:
- Musculação: peito, costas, ombros, braços, abdominais e corpo inferior, dividido em pernas, glúteos e panturrilha.
- Cardio: esteira, bike, remo e elíptico.
- Estruturas: equipamentos com cabo, articulados, bancos, racks e plataformas.
- Acessórios: barras, anilhas e puxadores.
Cada item do menu traz uma linha de apoio com exemplos, como supinos e pec deck em peito, ou leg press e extensora em pernas. Essa linha curta ajuda quem não lembra o nome técnico de uma máquina a encontrar o que procura.
Na página de equipamentos, a mesma divisão vira filtro por categoria, com a quantidade de itens em cada uma, e uma busca. Se a combinação de filtros não encontra nada, a página sugere ajustar a busca em vez de mostrar um vazio.
Organizar a informação antes de pedir contato vale para outros segmentos industriais. O site de uma indústria que mostra capacidade produtiva segue um raciocínio parecido, com máquinas e certificações no lugar do catálogo.
Passo 2: página de produto que responde a dúvida técnica
No varejo, a página de produto existe para fechar a compra. No catálogo com orçamento, ela existe para colocar o item na lista com segurança.
A página de produto da FyreTech tem uma sequência curta:
- nome e galeria do equipamento;
- campo de quantidade;
- dois botões, “Adicionar à Cotação” e “Salvar nos Favoritos”;
- três avisos curtos logo abaixo: entrega para todo o Brasil, garantia estendida e suporte técnico especializado;
- uma seção sobre o equipamento;
- equipamentos relacionados no fim.
O campo de quantidade é a decisão mais importante dessa página. Numa loja, quantidade é detalhe do carrinho. Aqui ela é informação de projeto. Uma esteira e uma fileira de esteiras geram conversas bem diferentes com o vendedor.
Os relacionados também têm função. Quem está montando uma área inteira da academia usa essa seção para lembrar do que ainda falta na lista.
A mesma lógica aparece na home. Os equipamentos em destaque não têm botão de comprar. Têm “Solicitar Cotação” e “Ver detalhes”.
Passo 3: favoritos e pedido de cotação no lugar do checkout
Aqui está a troca central do projeto. Onde a loja teria carrinho, checkout e pagamento, o catálogo tem três páginas:
- Favoritos. O comprador salva os equipamentos que interessam para consultar depois. Serve para quem ainda está pesquisando e vai voltar.
- Minha Cotação. A lista de equipamentos escolhidos, com a quantidade de cada um, que o comprador revisa antes de pedir o orçamento.
- Minha Conta. A área do cliente dentro do site.
Favoritos e cotação parecem a mesma coisa, mas cumprem papéis diferentes. Favorito é memória. Cotação é intenção. Separar os dois ajuda o vendedor a receber a lista de quem já decidiu o que quer orçar, e não tudo o que o cliente achou interessante.
Até a página vazia foi pensada. Quando a cotação ainda não tem itens, ela explica o próximo passo e leva de volta ao catálogo, em vez de mostrar uma tela morta.
Do lado do comprador, o esforço termina aqui. Ele não preenche cartão nem calcula frete de um projeto que ainda vai ser desenhado.
Quando desenho um catálogo e loja que encurtam o caminho até o pedido, essa é a primeira pergunta que faço ao cliente: quem compra paga agora ou pede proposta?
Passo 4: o painel do vendedor e a proposta em PDF
Pedido de cotação sem organização vira caixa de e-mail lotada. Por isso a outra metade do projeto não aparece para o comprador. É o painel do vendedor.
O vendedor entra com login próprio, separado da administração do site, e encontra:
- um resumo das cotações, com total, aprovadas, pendentes e taxa de aprovação;
- a lista completa, paginada, com filtro por status e busca;
- cada cotação disponível como proposta comercial.
A partir daí, o sistema gera a proposta comercial em PDF, que é onde o site passa a trabalhar para o vendedor. Ela sai com:
- o logo da marca no topo;
- os dados de quem pediu a cotação;
- tabela de produtos organizada por categoria, com subtotal de cada grupo;
- termos e condições comerciais no fim.
Dois cuidados de uso fizeram diferença. Na tela, a proposta abre em tema escuro, alinhado à marca, e troca para tema claro com um botão. Na impressão, ela se ajusta sozinha: fundo claro, logo trocado para a versão preta, botões escondidos e quebras de página que não cortam uma seção no meio.
O vendedor não precisa montar proposta num editor de texto nem copiar item por item. A lista que o comprador enviou pelo site vira o documento que volta para ele.
Catálogo online com pedido de orçamento em três idiomas
O último passo foi o idioma. O site da FyreTech tem seletor de português, espanhol e inglês no menu.
Idioma combina bem com venda por cotação. Quem não fala português não precisa enfrentar um checkout pensado para o Brasil, cheio de campos como CPF e CEP. Monta a lista no próprio idioma e pede a proposta. A negociação acontece depois, com o vendedor.
Se você pensa em traduzir o seu catálogo, deixo três cuidados:
- Traduza o caminho inteiro. Do menu à página de cotação vazia. Um idioma que muda no meio do fluxo quebra a confiança.
- Preserve o nome que o mercado usa. Leg press é leg press em qualquer idioma, e o comprador procura por esse nome.
- Deixe o seletor à vista. No menu, junto de Favoritos e Minha Conta, como na FyreTech, e não perdido no rodapé.
Pense no catálogo com orçamento como uma loja desenhada para outro tipo de compra, em que o fechamento acontece numa conversa e o site prepara tudo o que vem antes dela.
Se o seu produto também é vendido por lista, quantidade e projeto, me explica o que o seu vendedor precisa saber antes de mandar uma proposta. Essas perguntas viram a estrutura do catálogo.