Catálogo online com pedido de orçamento: quando o carrinho de compras atrapalha

Categoria Desenvolvimento
Leitura 7 min
Autor Figueiredo Neto
Data Junho de 2026
Catálogo online com pedido de orçamento: o site da FyreTech Machine no navegador e no celular, com a Bike Indoor Spinning em destaque

Se você vende equipamento por projeto e colocou carrinho com preço fixo no site, é provável que esteja atrapalhando a própria venda. Nesse caso, um catálogo online com pedido de orçamento funciona melhor: o comprador monta a lista com quantidades, envia a cotação e o vendedor responde com uma proposta em PDF.

Foi esse o caminho que desenhei para a FyreTech Machine, marca de equipamentos profissionais para academias, studios e centros de treinamento.

O raciocínio serve para quem pesquisa como fazer um site para fabricante de equipamentos de academia, mas vale para qualquer produto B2B vendido por lista, volume e projeto. Abaixo, o passo a passo.

Quando o carrinho de compras atrapalha a venda

Carrinho funciona quando o preço é fechado e a compra é individual. Um tênis, um livro, um relógio.

Equipamento de academia segue outra lógica. Quem monta ou renova uma academia compra um conjunto: máquinas de musculação, cardio, bancos, racks, acessórios. A quantidade mexe no valor. O espaço mexe na escolha. E muitas vezes o cliente ainda nem sabe quais máquinas cabem no layout.

O próprio site da FyreTech oferece projeto sob medida, com planejamento do layout da academia e indicação de equipamentos para cada espaço. Um botão de comprar com preço de vitrine contradiz essa promessa. Na prática, ele cria três problemas:

  • o comprador compara um preço de prateleira com um projeto que ainda nem foi desenhado;
  • a condição por volume, que é onde a negociação acontece, desaparece da conversa;
  • o vendedor perde a chance de entender o projeto antes de responder.

Na venda B2B sem carrinho de compras, o trabalho do site termina quando a lista chega ao vendedor bem organizada.

Quando o produto tem preço de etiqueta, o caminho se inverte, e a loja de relógios com painel próprio resolve checkout, estoque e pagamento na mesma visita.

Passo 1: organizar o catálogo do jeito que o comprador pensa

Dono de academia não pensa em código de produto. Pensa em área de treino. O que eu tenho para peito, para costas, para pernas, para cardio?

O catálogo da FyreTech se organiza assim. O menu de equipamentos abre em blocos:

  • Musculação: peito, costas, ombros, braços, abdominais e corpo inferior, dividido em pernas, glúteos e panturrilha.
  • Cardio: esteira, bike, remo e elíptico.
  • Estruturas: equipamentos com cabo, articulados, bancos, racks e plataformas.
  • Acessórios: barras, anilhas e puxadores.

Cada item do menu traz uma linha de apoio com exemplos, como supinos e pec deck em peito, ou leg press e extensora em pernas. Essa linha curta ajuda quem não lembra o nome técnico de uma máquina a encontrar o que procura.

Na página de equipamentos, a mesma divisão vira filtro por categoria, com a quantidade de itens em cada uma, e uma busca. Se a combinação de filtros não encontra nada, a página sugere ajustar a busca em vez de mostrar um vazio.

Organizar a informação antes de pedir contato vale para outros segmentos industriais. O site de uma indústria que mostra capacidade produtiva segue um raciocínio parecido, com máquinas e certificações no lugar do catálogo.

Passo 2: página de produto que responde a dúvida técnica

No varejo, a página de produto existe para fechar a compra. No catálogo com orçamento, ela existe para colocar o item na lista com segurança.

A página de produto da FyreTech tem uma sequência curta:

  1. nome e galeria do equipamento;
  2. campo de quantidade;
  3. dois botões, “Adicionar à Cotação” e “Salvar nos Favoritos”;
  4. três avisos curtos logo abaixo: entrega para todo o Brasil, garantia estendida e suporte técnico especializado;
  5. uma seção sobre o equipamento;
  6. equipamentos relacionados no fim.

O campo de quantidade é a decisão mais importante dessa página. Numa loja, quantidade é detalhe do carrinho. Aqui ela é informação de projeto. Uma esteira e uma fileira de esteiras geram conversas bem diferentes com o vendedor.

Os relacionados também têm função. Quem está montando uma área inteira da academia usa essa seção para lembrar do que ainda falta na lista.

A mesma lógica aparece na home. Os equipamentos em destaque não têm botão de comprar. Têm “Solicitar Cotação” e “Ver detalhes”.

Passo 3: favoritos e pedido de cotação no lugar do checkout

Aqui está a troca central do projeto. Onde a loja teria carrinho, checkout e pagamento, o catálogo tem três páginas:

  • Favoritos. O comprador salva os equipamentos que interessam para consultar depois. Serve para quem ainda está pesquisando e vai voltar.
  • Minha Cotação. A lista de equipamentos escolhidos, com a quantidade de cada um, que o comprador revisa antes de pedir o orçamento.
  • Minha Conta. A área do cliente dentro do site.

Favoritos e cotação parecem a mesma coisa, mas cumprem papéis diferentes. Favorito é memória. Cotação é intenção. Separar os dois ajuda o vendedor a receber a lista de quem já decidiu o que quer orçar, e não tudo o que o cliente achou interessante.

Até a página vazia foi pensada. Quando a cotação ainda não tem itens, ela explica o próximo passo e leva de volta ao catálogo, em vez de mostrar uma tela morta.

Do lado do comprador, o esforço termina aqui. Ele não preenche cartão nem calcula frete de um projeto que ainda vai ser desenhado.

Quando desenho um catálogo e loja que encurtam o caminho até o pedido, essa é a primeira pergunta que faço ao cliente: quem compra paga agora ou pede proposta?

Passo 4: o painel do vendedor e a proposta em PDF

Pedido de cotação sem organização vira caixa de e-mail lotada. Por isso a outra metade do projeto não aparece para o comprador. É o painel do vendedor.

O vendedor entra com login próprio, separado da administração do site, e encontra:

  • um resumo das cotações, com total, aprovadas, pendentes e taxa de aprovação;
  • a lista completa, paginada, com filtro por status e busca;
  • cada cotação disponível como proposta comercial.

A partir daí, o sistema gera a proposta comercial em PDF, que é onde o site passa a trabalhar para o vendedor. Ela sai com:

  • o logo da marca no topo;
  • os dados de quem pediu a cotação;
  • tabela de produtos organizada por categoria, com subtotal de cada grupo;
  • termos e condições comerciais no fim.

Dois cuidados de uso fizeram diferença. Na tela, a proposta abre em tema escuro, alinhado à marca, e troca para tema claro com um botão. Na impressão, ela se ajusta sozinha: fundo claro, logo trocado para a versão preta, botões escondidos e quebras de página que não cortam uma seção no meio.

O vendedor não precisa montar proposta num editor de texto nem copiar item por item. A lista que o comprador enviou pelo site vira o documento que volta para ele.

Catálogo online com pedido de orçamento em três idiomas

O último passo foi o idioma. O site da FyreTech tem seletor de português, espanhol e inglês no menu.

Idioma combina bem com venda por cotação. Quem não fala português não precisa enfrentar um checkout pensado para o Brasil, cheio de campos como CPF e CEP. Monta a lista no próprio idioma e pede a proposta. A negociação acontece depois, com o vendedor.

Se você pensa em traduzir o seu catálogo, deixo três cuidados:

  • Traduza o caminho inteiro. Do menu à página de cotação vazia. Um idioma que muda no meio do fluxo quebra a confiança.
  • Preserve o nome que o mercado usa. Leg press é leg press em qualquer idioma, e o comprador procura por esse nome.
  • Deixe o seletor à vista. No menu, junto de Favoritos e Minha Conta, como na FyreTech, e não perdido no rodapé.

Pense no catálogo com orçamento como uma loja desenhada para outro tipo de compra, em que o fechamento acontece numa conversa e o site prepara tudo o que vem antes dela.

Se o seu produto também é vendido por lista, quantidade e projeto, me explica o que o seu vendedor precisa saber antes de mandar uma proposta. Essas perguntas viram a estrutura do catálogo.

Figueiredo Neto
Atendimento

Projetos com início rápido. Do briefing à entrega, tudo com clareza e agilidade.

São Paulo, Brasil Conversar no WhatsApp
02. Contato

Gostou do conteúdo?

Se esse artigo fez sentido para você, imagina o que a gente pode construir juntos.

(03)
(Outros artigos)
Figueiredo Neto WhatsApp